SEU NOME ESTÁ NA RUA

Esta é a publicação da página "Seu Nome Está na Rua", publicada no jornal 'O Imparcial' - Araraquara/SP, no caderno semanal 'Domingo'. Criação e coordenação: Samuel Brasil Bueno Textos: José Angelo Santilli e colaboradores Fotos: Álbuns de Família, Carlos Augusto Donato e Paulo Silva Neto e outros

Nome:
Local: Araraquara, São Paulo, Brazil

01 março 2006

Centenário de nascimento do prefeito Rômulo Lupo


Se vivo estivesse, o prefeito Rômulo Lupo estaria completando no último dia 1º de fevereiro o centenário de nascimento, uma vez que nasceu em 1º de fevereiro de 1902, em Araraquara, filho de Henrique Lupo e de Dona Judith Bonini Lupo. De família numerosa, o primogênito Rômulo teve os seguintes irmãos: Rolando, Maria Renata, Edda, Henriqueta, Aldo, Ione, Elvio, Wilton e a caçula Nereide. Quando Rômulo nasceu, a família residia na Rua 9 de Julho (Rua 2), próximo ao largo da Santa Cruz. Nessa época, seu pai Henrique possuia a relojoaria *A Pêndula da Perfeição*, localizada na Rua 9 de Julho, nº 66.
Tendo feito o curso secundário no Liceu Coração de Jesus, em São Paulo; já que o primário o fez aqui em Araraquara, Rômulo muito cedo mergulhou no aprendizado prático dos negócios, ao lado do pai. Desde os tempos da Relojoaria e do comércio dos produtos dentários, abandonados no momento em que a fábrica de meias se firmou, ele começou a viajar. Assim que estava com a carta de motorista em mãos, expedida em 4 de setembro de 1922, Rômulo passou a percorrer a freguesia no seu carro Ford.
Meticuloso, mesmo que o céu estivesse limpo, ele achava bom levar as correntes para as rodas, pneus sobressalentes, espátula e cola para remendar câmaras. Conferia-se o arsenal típico de caixeiros-viajantes; A diferença é que a maioria usava trens e jardineiras.
Na década de 1920, à medida que a fábrica crescia e a marca ganhou prestígio, as distâncias e durações das viagens aumentaram na mesma proporção. O mercado local conquistado, as meias avançaram pela região, espalharam-se pelo País, ocupando espaço. Rômulo foi um pioneiro nessas viagens, atravessando o Brasil inteiro, antes de assumir juntamente com a família a parte diretiva da fábrica.
Em l0 de julho de 1939, casou-se em primeiras núpcias com a senhorita Luiza Adélia Eberle Lupo. Desse matrimônio nasceu a filha Judith Elisa Lupo. Permaneceu por apenas dois anos casado, ficando viúvo em julho de 1941, época em que sua filha Judith tinha apenas 14 meses de vida.
Ao contrário de seu irmão Aldo, o qual foi deputado estadual e federal, Rômulo preferiu se restringir ao âmbito local na política. Foi convidado a ser candidato a deputado estadual e recusou; também outros convites lhe foram feitos e também recusados.
A verdade é que depois da breve passagem pela Câmara Municipal, em 1936, Rômulo só voltou a atuar na política em 1955. Sempre foi voz corrente, no entanto, que dentro de uma facção que aspirava a mudanças na administração da cidade, nada se passava sem o aval de Rômulo.
No início de 1955 sugiram rumores sobre a candidatura Rômulo, concretizados no dia 8 de agosto, quando ele oficializou a candidatura através da Rádio Cultura, prometendo apenas *trabalhar muito e não receber o salário*. Acentuou que seu programa de governo era municipalista e que pretendia *zelar pelos interesses do município, executando tudo o que pudesse ser feito e que as condições financeiras pemitissem*. Ele podia agora se dedicar intensamente ao cargo, uma vez que a fábrica, com quase 35 anos, estava com a estrutura montada, azeitada e bem conduzida pelos irmãos mais jovens Elvio e Wilton. Sempre com Henrique e Rolando por perto.
As eleições foram realizadas no dia 3 de outubro de 1955. Abertos os envelopes, Rômulo obteve 6.947 votos contra 6.441 de seu oponente Vicente Micelli.
Tomada a posse, Rômulo passou a administrar a cidade usando os mesmos princípios utilizados na sua empresa.
A partir dessa data grandes modificações aconteceram em Araraquara. Ao terminar seu mandato, 31 de dezembro de 1959, uma de suas últimas declarações foi: *Sei que não pude contentar a todos, mas é impossível administrar uma cidade sem descontentar alguém, ou, quem sabe, descontentar muitos.... Mas procurei cumprir da melhor forma que esteve ao meu alcance, o meu dever*.
Rômulo quase não participou da campanha que o elegeu prefeito, novamente, em 6 de outubro de 1963. Fez antes, uma viagem a Europa e chegou às vésperas das eleições.
Em 27 de novembro de 1962, um ano e pouco antes de assumir o segundo mandato, Rômulo se casou em segundas núpcias com a professora Clarice Venusso, de família de Ribeirão Bonito, filha dos italianos Caetano Venusso e Theresa N. Venusso. E desse matrimônio nasceu a filha Cristiana Adélia Lupo, a qual lhe deu o seu único neto Rômulo Lupo de Almeida.
Ao final do segundo mandato, prevaleceu na cidade a opinião de que Rômulo não reeditou a administração do primeiro. Por outro lado, não havia como reeditar o que fôra feito na década de 1950. As demandas eram diferentes e os grandes problemas estavam resolvidos.
A cidade saíra do marasmo. Mas mesmo assim grandes obras foram executadas.
Rômulo foi um personalista que marcou sua passagem fortemente. Austero, calado, introspectivo, reservado, só falava quando necessário. Porém, falou muito pela rádio, dando contas do que fazia, como e por que fazia, no programa chamado *Você pergunta e o prefeito responde*.
Taxado de sovina, nem todos sabiam que seus salários eram encaminhados para organizações beneficentes, como o Asilo de Mendicidade, o Orfanato Nossa Senhora das Mercês, a Liga de Assistência Cristo Rei e outras. Certa vez, num encontro de seis prefeitos do interior com o governador do Estado, esse brincou dizendo que tinha prazer de conhecer o prefeito mais sovina do Estado. Prontamente, ouviu: *pena que eu seja só do Estado e não de todo o Brasil*.
Assim se expressou seu sobrinho Ricardo Lupo sobre seu tio Rômulo: *Em termos de inteligência (QI), velocidade de raciocínio, memória, visão, capacidade de planejamento e organização, foi um privilegiado, ou seja, era um gênio. E soube usar esses atributos com muita propriedade nos campos afetivos, morais, empresariais e políticos. Rômulo Lupo foi um marco na história de Araraquara*.
Rômulo Lupo faleceu aos 74 anos de idade no dia 24 de abril de 1976, na Santa Casa de Misericórdia, estando sepultado no jazigo da família no Cemitério São Bento. (Texto pesquisado no livro *Addio Bel Campanile - a Saga dos Lupo*, de autoria de Ignácio de Loyola Brandão e Rodolpho Telarolli).
Seu nome está na rua através do Decreto nº 3825, de 18 de junho de 1976, editado pelo prefeito Clodoaldo Medina, que denomina Avenida Rômulo Lupo a via pública já por esse mesmo nome conhecida e que, tendo início no córrego das Cruzes em continuação da Avenida Bandeirantes, termina na Rua 21 do Jardim Universal. Em homenagem à sua memória, no governo do prefeito Waldemar De Santi, foi esculpida uma estátua a qual está localizada na confluência da Avenida Bento de Abreu com a Rua Nove de Julho.

Melvin Jones


Quando se pergunta aos moradores dos arredores da Fonte Luminosa quem foi o patrono daquela praça localizada na confluência da Avenida Luiz Alberto com a Rua Napoleão Selmi-Dei, nas proximidades do DAAE, possivelmente reduzido número de moradores o sabem.
Melvin Jones, fundador da Associação Internacional de Lions Clubes, nasceu em Fort Thomaz, no Arizona, Estados Unidos, a 13 de janeiro de 1879. Era filho de Jonh Calvin Jones e Lídia Gibler Jones. Seu pai era capitão do Exército e servia sob as ordens do general Nelson Miles, famoso da luta contra os índios.
Vivendo em pleno Oeste, Melvin Jones, guardava na memória a sua infância onde se misturavam tropas uniformizadas de azul, cavalos de combate, caravanas e rebanhos de gado.
Devido às permanentes mudanças de seus pais, Melvin Jones foi educado por professores particulares no Arizona e em escolas públicas do Misssouri, onde freqüentou colégios secundários e mais tarde o *Union Business College* em Quincy, Illinois, do qual se transferiu para o *Chaddock College* onde estudou advocacia.
Indeciso entre advogado e tenor, Melvin Jones mudou-se para Chicago, onde aos 21 anos de idade entrou para o escritório de Jonhson & Higgins Isurance Brokers, no qual se tornaria profundo conhecedor do ramo de seguros, levando-o mais tarde a organizar sua própria empresa, a Melvins Jones Insurance Agency.
Em 1909, casou-se com Rose Amanda, que foi a sua principal colaboradora e incentivadora de sua idéias, o exemplo de domadora - denominação usada para as esposas dos membros de Lions.
Nesta época os Estados Unidos estavam se destacando no mundo pelo seu grande desenvolvimento industrial, econômico e financeiro e organizações associativas dos mais variados tipos começaram a surgir nas grandes cidades do país.
Assim Nova York com seus arranha-céus na Ilha de Manhattan, São Francisco, com Golden Bridge, Washington tornou-se o centro da diplomacia mundial e Chicago a segunda cidade do país, com instalações portuárias sem rival no mundo. Todas essas cidades tinha suas associações e a característica principal de todas era o lema: *AJUDAR UNS AOS OUTROS*.
Em 1913, Melvin Jones foi convidado para participar do Clube de Negócios de Chicago, onde os associados eram clientes uns dos outros, faziam propaganda mútua, reuniam-se em almoços com o único fim de ajuda mútua.
Melvin Jones ficou encantado com o companheirismo e a camaradagem dos sócios e uma idéia começou a tomar conta de seu pensamento: *... esta é uma maravilhosa oportunidade dos homens de negócios trabalharem juntos para melhoria de sua comunidade e para servir aos seus semelhantes...*
Em 1914, eleito Secretário Tesoureiro do Clube, Melvin Jones começou a ter idéias novas, partindo de que *NINGUÉM AVANÇA NA VIDA SE NÃO COMEÇA A FAZER ALGUMA COISA PELO PRÓXIMO*, isto significa que a grande força coletiva desses clubes poderia ser encaminhada para servir desinteressadamente as pessoas mais necessitadas.
A 7 de junho de 1917, vinte delegados representando 27 clubes, reuniram-se em Chicago e discutiram a formação da nova entidade, e nos dias 8, 9 e 10 de outubro de 1917, reuniram-se em Dallas, no Texas, 46 delegados representando 25 clubes com cerca de 550 sócios e assim foi fundado o LIONS, adotando a data de 10 de outubro como da data de FUNDAÇÃO DO LIONS e esta reunião como a PRIMEIRA CONVENÇÃO DO LIONS.
Nesta reunião a dificuldade foi achar o nome da associação e Melvin Jones investigando a literatura e os monumentos de todos os povos, sempre encontrou presente a figura ímpar do LEÃO. O Leão simboliza o valor, a força e a ação.
Depois de muita discussão o Clube de Negócios de Chicago que era o promotor da reunião, abdicou de seu nome e aceitou o novo nome e estava assim criada a ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE LIONS CLUB.
A palavra LIONS foi definida como LIBERDADE E A INTELIGÊNCIA - SÃO A SEGURANÇA DA NOSSA NAÇÃO. No Brasil este slogan significa LIBERDADE, IGUALDADE, ORDEM, NACIONALISMO E SERVIÇO.
Em 1920 é que nasceu o EMBLEMA DO LIONS depois de muita discussão e que Melvin Jones o definiu: este EMBLEMA representa um leão olhando o passado, orgulhoso do serviço prestado e outro, confiante, contemplando o futuro, a procura de oportunidade para prestar mais serviços.
Em 1955 inaugurou-se a sede do LIONS em Chicago mas o Leonismo cresceu tanto que foi construída outra sede em OAK BROOK, um subúrbio de Chicago e que permanece até hoje.
Em 21 de junho de 1956 falece sua esposa Rose Amanda Freeman e, dois anos depois Melvin Jones casa-se novamente com Lilian M. Radigan que também o acompanhou sempre em sua incessante atividade leonística.
Sobre Melvin Jones, Kettering disse:
*Nenhuma obra que se tenha construída, se elevou jamais até os céus, sem que um homem sonhasse que ele devia tocá-los, sem que alguns crescem que assim devia ser feito e sem que o homem se propusesse que assim devia ser feito*.
Melvin Jones viverá eternamente como símbolo da grande associação que fundou, e através de cujo plano de serviço desinteressado se multiplicará sua influência benfazeja em prol da humanidade, até o final dos tempos.
Com a idade de 82 anos, Melvin Jones faleceu no dia 1º de junho de 1961, em Floosmod, um subúrbio perto de Chicago, e após ser velado durante quatro dias na Lain Chapel, foi sepultado, no dia 5 de junho, no Mount Hope Cemetery.
Seu nome está na rua na cidade de Araraquara através de Decreto assinado pelo prefeito Clodoaldo Medina (membro de Lions Club), no ano de 1973, que passou a denominar Praça Melvin Jones o logradouro público localizado na confluência da Avenida Luiz Alberto com a Rua Napoleão Selmi Dei, na Fonte Luminosa.

Pio Lourenço Corrêa


Pio Lourenço Corrêa nasceu em Araraquara a 12 de maio de 1875 e morreu na mesma cidade a 12 de junho de 1957. Era filho do segundo casamento do comendador Joaquim Lourenço Corrêa (1811-1887) com Rita Maria Pinto de Arruda, falecida um ano depois do marido. Órfão aos 12 anos, teve como tutor seu irmão Antonio Lourenço Corrêa, que o mandou para São Paulo a fim de fazer os estudos secundários pelo antigo regime dos *preparatórios*, que todavia não terminou. Em São Paulo foi morar na casa de seu padrinho, o dr. Joaquim de Almeida Leite Moraes, que havia sido advogado em Araraquara, de cuja Câmara Municipal foi presidente (que naquele tempo exercia também as funções executivas, hoje atribuídas aos prefeitos). O dr. Leite Moraes era homem culto, professor da Faculdade de Direito e teve grande influência no afilhado. O desejo deste era bacharelar-se em direito e entrar para a carreira diplomática. Mas a certa altura o tutor avisou que as somas herdadas do pai estavam acabando e ele deveria voltar a fim de cuidar da vida. Voltou então para Araraquara e, uma vez estabelecido, casou em 1898 com sua sobrinha Zulmira de Moraes Rocha, com quem não teve filhos.
Interrompidos a contragosto os estudos, nem por isso Pio Lourenço deixou os livros ou perdeu a paixão pelo saber. Grande leitor, muito dotado para as línguas e para a observação da natureza, tornou-se com os anos um homem de rara informação, senhor de uma bela biblioteca, na qual se destacavam as obras de zoologia e de estudos lingüísticos, inclusive uma extraordinária coleção de dicionários e enciclopédias. Intelectual desviado dos seus pendores pela necessidade de ganhar a vida, ele foi contudo, em toda a extensão do conceito, um homem de cultura.
Em Araraquara foi comerciante e por algum tempo banqueiro, mas sobretudo fazendeiro, dono da Fazenda São Francisco, que administrou com zelo quase científico. Durante certo período, uns anos antes e uns anos depois de 1910, foi sócio de uma casa comissária em Santos, onde passou a residir. Em 1911 fez para tratamento e recreio uma longa viagem à Europa com d. Zulmira, movimentando-se com facilidade graças ao seu notável conhecimento de línguas. Com efeito, falava, lia e escrevia corrente e corretamente espanhol, italiano, francês e inglês, sendo curioso que nesta última se exprimia com o forte sotaque da Escócia, de onde era originário o seu professor em Araraquara, Mister Ruxton.
Depois de sair da firma comissária em Santos viveu exclusivamente da fazenda. Na cidade de Araraquara tinha casa, que depois vendeu, e a chácara Sapucaia, hoje loteada dentro do perímetro urbano, na qual passou a morar exclusivamente. Além disso tinha um pesqueiro nas margens então límpidas do Mogi Guaçu e era também caçador apaixonado. Com o seu espírito metódico e autoritário, fundou e organizou o grupo dos *Conjurados*, constituído por amigos caçadores, que todos os anos passavam muitos dias no sertão, à busca sobretudo de macucos, já raros. O grupo era admiravelmente regulamentado por ele, com previsão meticulosa de tudo, desde a abertura de fossas no acampamento até os turnos de tocaia, a fim de que todos tivessem a sua oportunidade.
Lembro isso para dizer que o amor de Pio Lourenço à caça e à pesca estava ligado à vocação de naturalista. Tinha microscópio, estudava a flora e a fauna da sua região, anotando e chegando a classificar algumas espécies. Nisto foi estimulado por seu amigo dr. Olivério Mário de Oliveira Pinto, médico do Posto de Saúde local que fez mais tarde uma notável carreira científica como grande ornitologista, destacando-se na direção do Museu de Zoologia de São Paulo. A ele Pio Lourenço legou os seus livros científicos, repassados em parte para o Departamento de Zoologia da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.
Outro setor dos seus estudos foi a língua portuguesa, da qual se tornou conhecedor profundo, mantendo durante muitos anos nos periódicos de Araraquara, com o pseudônimo de Mota Coqueiro, uma secção de notas gramaticais intitulada *Fichas de linguagem*. A sua coleção de livros sobre a língua era muito boa, devendo-se notar que, pouco a pouco, ele foi passando da preocupação então predominante com a correção gramatical para o interesse de cunho propriamente lingüístico, afastando-se da mentalidade de tipo *consultório do idioma*. Na sua biblioteca entraram desde logo os escritos de tratadistas eminentes, como Meyer-Lübke; depois, muitos outros, como Ogden e Richards, tendo sido ele dos primeiros a sentirem aqui a importância da obra renovadora de Ferdinand de Sassure, que adquiriu assim que ela se tornou accessível no Brasil. A essa altura já bradava, com a energia que punha em todos os seus pronunciamentos: *Eu sou lingüista, não sou gramático!*
O amor pelo estudo da língua esteve sempre ligado à grande obsessão de sua vida: provar que *Araraquara* quer dizer *morada do sol*, não *cova das araras*. Foi o que aprendera em menino com o seu já velho pai, que era dotado de alguns conhecimentos de *língua geral*, ou *nheengatu*, ainda usada por sua mãe e amigas, no começo do século XIX, em Porto Feliz, onde nascera. E para provar que o pai tinha razão, construiu grande parte da sua vida intelectual em torno do nome de sua cidade, o que o levou a ir alargando aos poucos os interesses no rumo da lingüística, da história, da etnologia. A sua produção a respeito começou em 1924 com um artigo que mais tarde desenvolveu no opúsculo intitulado Monografia da palavra Araraquara (1936). Trabalhando sem cessar, elaborando um minucioso fichário, transformou o opúsculo em livro, publicado como 2a. edição em 1937. A 3ª. saiu em 1940 e a 4ª. em 1952.
É uma obra de grande interesse, escrita com linguagem corretíssima, em estilo meio guindado, mas vigoroso e expressivo. No afã de argumentar, Pio Lourenço ampliou a discussão sobre o tema central, refletindo a respeito de diversos problemas das línguas e chegando a dar elementos saborosos para o conhecimento da cultura tradicional paulista.
Além das *Fichas de linguagem* e da monografia, publicou trabalhos em revistas de São Paulo e foi autor do excelente Álbum de Araraquara, de 1915, verdadeiro modelo no gênero. O seu acervo de literatura e lingüística foi doado pela sua viúva à Biblioteca Mário de Andrade de Araraquara, onde se encontra com estatuto de coleção reservada, que tem o seu nome. Lá podem ser vistas algumas preciosidades, como primeiras edições de Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, além da mencionada coleção dos dicionários. Infelizmente, muita coisa interessante se dispersou no momento de sua doença e morte, sobretudo coleções raras de revistas.
Mas talvez a coisa mais relevante em Pio Lourenço Corrêa tenha sido o seu modo de ser, o toque diferente dos seus hábitos, da sua conduta, regidos por uma curiosa mistura de convencionalismo e originalidade. Tendo muito de excêntrico, ele o era sobretudo porque observava de maneira quase maníaca as normas, principalmente as que ele próprio estabelecia, com necessidade imperiosa de conformar o mundo à sua visão, marcada por inflexível coerência. De certo modo, nele a pessoa era superior aos escritos e estudos, porque ele era essa coisa rara: uma grande personalidade. Mas uma personalidade que não se fechava no egocentrismo e sabia aceitar e cumprir tarefas de interesse coletivo, como foram, entre outros casos, a sua atuação durante a febre amarela dos anos de 1890 ou na epidemia da chamada *gripe espanhola*, de 1918, sem esquecer uma atuação constante e desinteressada em instituições de assistência social e hospitalar, geralmente ao lado de seu irmão Antonio Lourenço. Ele foi desses homens notáveis que as circunstâncias e a própria opção confinam em fronteiras estreitas, mas não obstante sabem criar dentro delas uma preeminência real, que não vem do barulho publicitário, e sim do talento e da fibra humana.
Seu nome está na rua através da Lei nº 606, de 27 de novembro de 1957, que denomina Avenida Pio Lourenço Corrêa a via pública da sede do município anteriormente conhecida por *Avenida 38* da Vila Nice.

Branca De Lucca Barreto


Branca De Lucca Barreto nasceu no distrito de Jacuba, município de Campinas (SP), no dia 22 de outubro de 1906, filha do chefe de estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Balthazar Jesuíno de Oliveira Barreto e de sua segunda esposa Francisca De Lucca Barreto, sendo a nona filha de Balthazar, de uma família de 21 irmãos de seus dois casamentos.
Branca teve pouca oportunidade para estudar, quer pela função que seu pai exercia, o qual estava sempre sendo transferido de cidade, e também pela grande prole, pois que o mesmo não podia arcar com tamanha despesa.
Antes de mudar para Araraquara em 1932, a família morou em Limeira, São Carlos, Nova Odessa, Santa Rita do Passa Quatro, Ribeirão Bonito e outras.
Em 1917, quando a família residia em Santa Rita do Passa Quatro, seu pai tornou-se grande amigo de Zequinha de Abreu, pois que *Seo* Balthazar , além de chefe da estação, era também membro da orquestra de Zequinha de Abreu, conjunto esse que fazia suas apresentações no coreto da praça da cidade, assim como no cinema, durante as exibições dos filmes e nos intervalos.
Branca tinha 14 anos na época e já gostava muito das músicas de Zequinha. Certo dia, Zequinha de Abreu disse a ela: *eu vou escrever uma valsa inspirado em você*. Branca ficou emocionada e pediu a ele que escrevesse uma valsa bem triste. Simplesmente ele retrucou: *não, menina, você não é triste. Eu quero escrever uma valsa como você é. Alegre e triste.*
Um mês depois a música foi executada no cinema de Santa Rita, e todos que se encontravam no cinema naquela noite se emocionaram quando da apresentação da valsa, e Zequinha perguntou a Branca, que se encontrava com os familiares na platéia, se ela havia gostado. *Gostei muito, e como se chama a valsa?*. No que ele respondeu: chama-se Branca, a música que eu lhe prometi*.
Juntamente com sua família, Branca veio de Ribeirão Bonito para Araraquara em 1932, cidade na qual fixaram residência.
Em 1925, na cidade de Americana, Branca casou-se com Moacir de Andrade, de cujo matrimônio nasceu a filha Maria Lourdes Barreto de Andrade, que reside em Araraquara. O casamento de Branca e Moacir não foi muito duradouro, uma vez que permaneceram casados por aproximadamente 4 anos.
Branca, por ter convivido desde muito jovem com a música e por ter sido filha de músico, aprendeu desde cedo a gostar de música e viveu praticamente para a música, tendo sido grande violonista e cantora, inclusive tornando-se professora de violão em Araraquara, lecionando também piano em um conservatório em Campinas.
Branca Barreto, principalmente em Santa Rita do Passa Quatro, foi alvo de grandes homenagens - recebeu o título de *Cidadã Santaritense*, bem como em outra oportunidade um Cartão de Prata oferecido pela autoridades daquela cidade, que entenderam ser ela a inspiradora da valsa de Zequinha de Abreu.
Branca De Lucca Barreto faleceu em Araraquara, no dia 5 de fevereiro de 1980, aos 74 anos, estando sepultada no Cemitério São Bento, embora sua vontade era ter sido sepultada em Campinas, ao som da valsa *Branca*.
Seu nome está na rua através do Decreto nº 4714, de 1º de setembro de 1982, que denomina Rua Branca De Lucca Barreto, a via pública conhecida por *Rua 19*, do loteamento núcleo residencial Yolanda Ópice, que tem o seu início na Avenida Waldomiro Blundi e o seu término na *Avenida G*.

Branca

Há tempos que a vi
Que eu a conheci
Ela era linda um primor de amor
Misto de estrela e de flor...
Mas, também sofreu
Eu sei vou contar
Pois li naqueles olhos
Cansados de chorar...

De tarde ao chegar
Os trens um a um
Ela viu desembarcar
Um estranho e tentador
e Branca a clamar
Num sonho de amor
Ficou logo apaixonada
do mancebo tentador

Mas, essa flor
Não sentiu florir o amor
Nunca sentiu florir
Porque ele teve de partir
Viu-o embarcar
Como um dia após o amor
E nunca mais não,
Sentiu seu puro amor
Do jovem, seu tentador

(Zequinha de Abreu)

José do Patrocínio


José do Patrocínio (José Carlos do Patrocínio), jornalista, orador, poeta e romancista, nasceu em Campos, RJ, em 8 de outubro de 1854, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 30 de janeiro de 1905. Compareceu às sessões preparatórias da instalação da Academia Brasileira de Letras e fundou a Cadeira n. 21, que tem como patrono Joaquim Serra.
Era filho natural do cônego José Carlos Monteiro, vigário da paróquia e orador sacro de grande fama na capela imperial, e de *tia* Justina (Maria do Espírito Santo), uma escrava que depois de alforriada exercer a profissão de quitandeira. O cônego Monteiro não o perfilhou, mas criou-o em sua casa com todo o conforto. O sobrenome Patrocínio proveio do fato de ter sido o menino batizado a 8 de novembro, mês em que a igreja católica celebrava, no segundo domingo, o patrocínio da Virgem Santíssima.
Passou a infância na fazenda paterna da Lagoa de Cima, onde pôde observar, desde criança, a situação dos escravos e assistir a castigos que lhes eram infligidos. Por certo nasceu ali a extraordinária vocação abolicionista. Tinha 14 anos quando, tendo recebido apenas a educação primária, foi para o Rio de Janeiro. Começou a trabalhar na Santa Casa de Misericórdia e voltou aos estudos no Externato de João Pedro de Aquino, fazendo os preparatórios do curso de Farmácia. Ingressou na Faculdade de Medicina como aluno de Farmácia, concluindo o curso em 1874. Sua situação, naquele momento, se tornou difícil, porque os amigos da *república* de estudantes voltavam para suas cidades de origem, e ele teria que alugar outra moradia. Foi então que seu amigo João Rodrigues Pacheco Vilanova, colega do Externato Aquino, convidou-o a morar em São Cristóvão, na casa da mãe, então casada em segundas núpcias com o capitão Emiliano Rosa Sena. Para que Patrocínio pudesse aceitar sem constrangimento a hospedagem que lhe era oferecida, o capitão Sena propôs-lhe que, como pagamento, lecionaria aos seus filhos. Patrocínio aceitou a proposta e, desde então, passou também a freqüentar o *Clube Republicano* que funcionava na residência, do qual faziam parte Quintino Bocaiúva, Lopes Trovão, Pardal Mallet e outros. Não tardou que Patrocínio se apaixonasse por Bibi (Maria Henriqueta), sendo também por ela correspondido. Quando informado dos amores de sua filha com Patrocínio, o capitão Sena sentiu-se revoltado, mas, afinal, Patrocínio e Bibi se casaram em 15 de janeiro de 1881. José do Patrocínio teve um filho, José do Patrocínio Filho, que, a exemplo do pai, foi jornalista e escritor, tendo falecido em Paris, a 11 de agosto de 1929.
Já a esse tempo Patrocínio iniciara a carreira de jornalista, na Gazeta de Notícias, e sua estrela começava a aparecer. Com Dermeval da Fonseca publicava os Ferrões, quinzenário que saiu de 1º de junho a 15 de outubro de 1875, formando um volume de dez números. Os dois colaboradores se assinavam com os pseudônimos Notus Ferrão e Eurus Ferrão. Dois anos depois, Patrocínio estava na Gazeta de Notícias, onde tem a seu cargo a *Semana Parlamentar*, que assinava com o pseudônimo Prudhome. Em 1879 iniciou ali a campanha pela Abolição. Em torno dele formou-se um grande coro de jornalistas e de oradores, entre os quais Ferreira de Meneses, na Gazeta da Tarde, Joaquim Nabuco, Lopes Trovão, Ubaldino do Amaral, Teodoro Sampaio, Paula Nei, todos da Associação Central Emancipadora. Por sua vez, Patrocínio começou a tomar parte nos trabalhos da associação.
Em 1881, passou para a Gazeta da Tarde, substituindo Ferreira Meneses, que havia morrido. Na verdade, ele tornou-se o novo proprietário do periódico, comprado com a ajuda do sogro. Patrocínio tinha atingido a grande fase de seu talento e de sua atuação social. Fundou a Confederação Abolicionista e lhe redigiu o manifesto, assinado também por André Rebouças e Aristides Lobo.
Em 1882, foi ao Ceará, levado por Paula Ney, e ali foi cercado de todas as homenagens. Dois anos depois, o Ceará fez a emancipação completa dos escravos. Em 1885, visitou Campos, onde foi saudado como um triunfador. Regressando ao Rio, trouxe a mãe, doente e alquebrada, que veio a falecer pouco depois. Ao enterro compareceram escritores, jornalistas, políticos, todos amigos do glorioso filho. Em setembro de 1887, deixou a Gazeta da Tarde e passou a dirigir a Cidade do Rio, que havia fundado. Ali se fizeram os melhores nomes das letras e do periodismo brasileiro do momento, todos eles chamados, incentivados e admirados por Patrocínio. Foi de sua tribuna da Cidade do Rio que ele saudou, em 13 de maio de 1888, o advento da Abolição, pelo qual tanto lutara.
Em 1899, Patrocínio não teve parte na República e, em 1891, opôs-se abertamente a Floriano Peixoto, sendo desterrado para Cucuí. Em 1893 foi suspensa a publicação da Cidade do Rio, e ele foi obrigado a refugiar-se para evitar agressões. Nos anos subseqüentes a sua participação política foi pouca. A transição do século XIX para o século XX assinalou uma curiosa transformação na vida de José do Patrocínio. Desinteressando-se cada vez mais da atividade jornalística e política, que tantas decepções lhe trouxera, dedica-se a todo a uma nova carreira, a de inventor. Voltando da França, em 1892, trouxera o primeiro carro movido a gasolina que entrava no Brasil, com o que se consagrou pioneiro do automobilismo.
Preocupava-se, também, com a aviação. Mandou construir o balão *Santa Cruz*, com o sonho de voar. Numa homenagem a Santos Dumont, realizada no Teatro Lírico, ele estava saudando o inventor, quando foi acometido de uma hemoptise em meio ao discurso. Faleceu pouco depois, aos 51 anos de idade, aquele que é considerado por seus biógrafos o maior de todos os jornalistas da Abolição.
Entre outras obras de José do Patrocínio, destacam-se: Os Ferrões, quinzenário, 10 números. Em colaboração com Dermeval Fonseca (1875); Mota Coqueiro ou A pena de morte, romance (1887); Os retirantes, romance (1879); Manifesto da Confederação Abolicionista (1883); Pedro Espanhol, romance (1884); Conferência pública, feita no Teatro Politeama, em sessão da Confederação Abolicionista de 17 de maio de 1885; Associação Central Emancipadora, 8 boletins. Artigos nos periódicos da época. Patrocínio usou os pseudônimos: Justino Monteiro (A Notícia, 1905); Notus Ferrão (Os Ferrões, 1875); Prudhome (A Gazeta de Notícias, A Cidade do Rio). (Texto extraído da página na Internet da Academia Brasileira de Letras e também da Enciclopédia Mirador Internacional).

Em Araraquara, seu nome está na rua através Lei nº 810, de 26 de abril de 1960, que denomina Rua José do Patrocínio, a via pública da sede do município localizada na Vila Xavier que o seu início atrás da Igreja São Benedito e o seu término na Avenida Padre Antônio Cezarino. Em todo o Brasil, são inúmeras as homenagens a José do Patrocínio, emprestando seu nome a ruas, praças e avenidas.

Geraldo Gonçalves


Geraldo Gonçalves nasceu em Araraquara, em 25 de outubro de 1927. Filho de Francisco Augusto Gonçalves, conhecido como *Chico Barbeiro*, de naturalidade portuguesa, e de Emília Crimer, de naturalidade albanesa. Geraldo Gonçalves tinha mais três irmãos: Lázara, Nelio e Caetano. Nasceram e se criaram ali, bem no centro de Araraquara, na Avenida José Bonifácio, entre as ruas 9 de Julho e Gonçalves Dias, local onde o pai tinha também sua barbearia.
Geraldo Gonçalves era um estudioso; embora tivesse pouca escolaridade, era muito curioso e até um tanto excêntrico pelas peripécias que fazia. Geraldo foi uma pessoa alegre e brincalhona. Seus anos escolares foram passados no antigo Grupo da Rua 1 - o *Carlos Baptista Magalhães*.
Entre os anos 1943 a 1947 foi telegrafista da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) e nessa época residiu em Cedral. Em 25 de fevereiro de 1952 foi admitido através de concurso público como funcionário do Departamento de Estada de Rodagem (DER), regional de Araraquara, inicialmente como auxiliar de escritório. Mais tarde passou a exercer a função de técnico de equipamentos próprios e, quando se aposentou, em 1981, exercia a chefia da seção de Administração Geral.
Em sua mocidade foi desportista e também exerceu a função de cronista esportivo e, mais tarde, em 1954, colaborava com *O Gabarito*, um arauto dos servidores do DER, em companhia dos amigos Mário Boschiero e Alberto de Castro.
Geraldo Gonçalves casou-se em 1951, com a senhorita Emília Tosetto, filha de Arlindo Tosetto e Conceição Marcelo Tosetto, com a qual conviveu por 20 anos. Desse matrimônio nasceram quatro filhos: Doris Teresinha, casada com Pedro Paulo Ferrenha (Nenê Escapamento); Daisy Aparecida, casada com Gilberto Dorival Januário; Dione Regina, casada com Carlos A Rufino; e Geraldo Gonçalves Júnior, casado com Fátima Gonçalves. Esses deram-lhe sete netos: Cristiane, Emiliane, Mariane, Rodrigo, Diego, Gustavo de Manoela.
Ficou viúvo em 1972 e casou-se em segundas núpcias, no dia 9 de fevereiro, de 1974, com a senhora Esther Aparecida Gonçalves, filha de Victor Antônio Scapolatieri e de Guilerrmina Dinis Scapolatieri.
Geraldo Gonçalves faleceu em 25 de agosto de 1984, aos 57 anos, deixando muita saudade em seus filhos, esposa, parentes, amigos e todos que o conheceram, os quais dele guardam lembranças boas e lições de alegria.
Seu nome está na rua através da Lei nº 3600, de 4 de julho de 1989, que denomina Rua Geraldo Gonçalves a via pública da sede do município conhecida por * Avenida2* do loteamento Vila do Servidor, que tem o seu início no balão de retorno e término da *Rua2*, marginal ao córrego das Cruzes.

Monteiro Lobato


Em 18 de abril de 1882, em Taubaté, estado de São Paulo, nasce o filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Augusta Monteiro Lobato. Recebe o nome de José Renato Monteiro Lobato que, por decisão própria, modifica, mais tarde, para José Bento Monteiro Lobato, desejando usar uma bengala do pai gravada com as iniciais J.B.M.L. Se vivo fosse, estaria completando 120 anos neste próximo dia 18 de abril.
Juca - assim era chamado - brincava com suas irmãs menores Ester e Judite. Naquele tempo não havia tantos brinquedos: eram toscos, feitos de sabugos de milho, chuchus, mamão verde, etc... Adorava os livros de seu avô materno, o Visconde de Tremembé. Sua mãe o alfabetizou, teve depois um professor particular e aos 7 anos entrou num colégio.
Leu tudo o que havia para crianças em língua portuguesa. Em dezembro de 1896, presta exames em São Paulo das matérias estudadas em Taubaté.
Aos 15 anos perde seu pai, vítima de congestão pulmonar, e aos 16, sua mãe. No colégio funda vários jornais, escrevendo sob pseudônimo. Aos 18 anos entra para a Faculdade de Direito por imposição do avô, pois preferia a Escola de Belas-Artes.
É anti-convencional por excelência, diz sempre o que pensa, agrade ou não. Defende a sua verdade com unhas e dentes, contra tudo e todos, quaisquer que sejam as conseqüências.
Em 1904, diploma-se Bacharel em Direito pela tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco; em maio de 1907 é nomeado promotor em Areias.
Em 1908 casa-se com Maria Pureza de Natividade (D. Purezinha), com quem teve os filhos Edgar, Guilherme, Marta e Rute.
Vive no interior, nas cidades pequenas, sempre escrevendo para jornais e revistas. Tribuna de Santos, Gazeta de Notícias, do Rio e Fon Fon, para onde também manda caricaturas e desenhos. Em 1911 morre seu avô, o Visconde de Tremembé, e dele herda a fazenda de Buquira, passando de promotor a fazendeiro.
A geada, as dificuldades, levam-no a vender a fazenda em 1917 e a transferir-se para São Paulo. Mas na fazenda escreveu o JECA TATU, símbolo nacional.
Compra a Revista do Brasil e começa a editar seus livros para adultos. Urupês inicia a fila em 1918. Surge a primeira editora nacional *Monteiro Lobato e Cia.*, que se liquidou transformando-se depois em Companhia Editora Nacional, sem sua participação.
Antes de Lobato, os livros do Brasil eram impressos em Portugal; com ele inicia-se, portanto, o movimento editorial brasileiro.
Em 1931, volta dos Estados Unidos da América do Norte, pregando a redenção do Brasil pela exploração do ferro e do petróleo.
Começa a luta que o deixará pobre, doente e desgostoso. Havia interesse oficial em se dizer que no Brasil não havia petróleo.
Foi perseguido, preso e criticado porque teimava em dizer que no Brasil havia petróleo e que era necessário explorá-lo para dar ao seu povo um padrão de vida à altura de suas necessidades.
Já em 1921 dedicou-se à literatura infantil. Retorna a ela, desgostoso dos adultos que o perseguem injustamente. Em 1943 funda e Editora Brasiliense para publicar suas obras completas, reformulando inclusive, diversos livros infantis. Com Narizinho arrebitado lança o Sítio do Picapau Amarelo e seus célebres personagens. Através de Emília diz tudo o que pensa; na figura de Visconde de Sabugosa critica o sábio que só acredita nos livros já escritos. Dona Benta é o personagem adulto que aceita a imaginação criadora das crianças, admitindo as novidades que vão modificando o mundo. Tia Nastácia é o adulto sem cultura, que vê no que é desconhecido o mal, o pecado. Narizinho e Pedrinho são as crianças de ontem, hoje e amanhã, abertas a tudo, querendo ser felizes, confrontando suas experiências com o que os mais velhos dizem mas sempre acreditando no futuro.
E assim, o Pó de Pirlimpimpim continuará a transportar crianças do mundo inteiro ao Sítio do Picapau Amarelo, onde não há horizontes limitados por muros de concreto e idéias tacanhas.
Em 4 de julho de 1948 perde-se esse grande homem, vítima de colapso, na capital de São Paulo. Mas o que ele tinha de essencial, seu espírito jovem, sua coragem, estão vivos no coração de cada criança. Viverá sempre, enquanto estiver presente a palavra inconfundível de Emília.
Monteiro Lobato tem a sua obra de literatura infantil reunida pela Editora Brasiliense em 17 volumes. A título informativo, observe-se que o seu primeiro trabalho no gênero, publicado em 1921 em São Paulo, por Monteiro Lobato e Cia., com ilustrações de Voltolino, tinha o título hoje imortal de Narizinho arrebitado: segundo livro de leituras para uso das escolas primárias.
Os 17 tomos são estes: Reinações de Narizinho; Viagem ao Céu e O Saci; Caçadas de Pedrinho e Hans Staden; História do mundo para crianças; Memórias da Emília e Peter Pan; Emília no País da Gramática e Aritmética da Emília; Geografia de Dona Benta; Serões de Dona Benta e História das Invenções; D. Quixote das Crianças; O Poço do Visconde; Histórias de Tia Nastácia; O Picapau Amarelo e A Reforma da Natureza; O Minotauro; A Chave do tamanho; Fábulas e Histórias Diversas; Os Doze Trabalhos de Hércules (dois volumes).
Quanto às suas traduções e adaptações (9 volumes, Editora Brasiliense), são as seguintes: Contos de Fadas, Contos de Andersen, Novos Contos de Andersen, Alice no País das Maravilhas, Alice no País do Espelho, Contos de Grimm, Novos Contos de Grimm, Robinson Crusoé e Robin Hood.
Ana Maria Machado, a notável escritora de livros infantis de nossos dias, diz que *a boa safra de autores atuais se deve a Monteiro Lobato. Ele estabeleceu um padrão de qualidade em nossa literatura e todos os autores partiram deste patamar. Qualquer livro de história da literatura menciona a importância de Lobato, até em obras estrangeiras. Autores de hoje foram crianças que leram Monteiro Lobato*.
Seu nome está na rua através da Lei nº 032, de 14 de dezembro de 1948, que denomina Avenida Monteiro Lobato a antiga *Avenida 28*, que tem o seu início na Rua Padre Duarte (Rua 4) até a Rua Armando Salles de Oliveira, e, depois, através de declaração municipal de 3 de novembro de 1983, passou também a denominar Avenida Monteiro Lobato a antiga Avenida Aymorés, que tem o seu início na Rua Cinco e Meio, passando atrás da Igreja de São Geraldo e tendo o seu término no bairro do Santana.
Em Araraquara, Monteiro Lobato também empresta seu nome ao conceituado estabelecimento de ensino Liceu Monteiro Lobato, bem como a Biblioteca Municipal Infantil homenageia o conspícuo compatriota.

Synésio Wyss Barreto


Nasceu em São João da Boa Vista (SP), a 7 de agosto de 1897, sendo filho de Balthazar Jesuíno de Oliveira Barreto Filho e Maria do Carmo Wyss Barreto. Seus irmãos: Araci, Ondina, Edmur, José, Hilda, Dimas, Sebastião, Antônio, Áurea, Branca (de Zequinha de Abreu), Maria, Thereza, Geraldo e Arnaldo.
Seu pai, que era ferroviário, transferiu-se para Araraquara com toda família por volta de 1910, indo residir na Vila Xavier, nos arredores da Igreja Santo Antonio. Logo em seguida, a família Barreto transferiu-se para Ribeirão Bonito, onde *Seu* Balthazar foi nomeado para exercer o cargo de chefe de estação.
Cinco anos depois, os Barreto retornaram para Araraquara, quando Synésio, já alfabetizado, começou a trabalhar. Lutou muito, desde cedo. Seguindo os passos de seu pai, foi ferroviário, exercendo as mais diversas funções na Companhia Paulista de Estrada de Ferro (CP). Foi telegrafista, inspetor da contadoria, inspetor do tráfego e chefe de estação.
Synésio casou-se em Araraquara no dia 14 de outubro de 1920, com a senhorita Maria Gonçalves (Nenê), filha do Sr. Gonçalves e da professora Maria Augusta Gonçalves (Dona Mariquinha), educadora da União Operária muito conhecida na época.
Desse matrimônio nasceram 9 filhos. Lélia e Edson faleceram na primeira infância. Depois vieram: Newton, casado em primeira núpcias com Neotilda e, em segundas núpcias, com Doralice; Sydney, casado com Dionice; Vera, casada com Oscar Trostdorf; Ébe, casada com Ignácio Levy; June Maria, casada com Antônio Baldassari; Syrley, casada com Roque Piedade de Oliveira (falecido); e Gilbert, casado com Maria Lúcia Lapena. Seus filhos lhes deram 26 netos e 37 bisnetos.
O casal Synésio e Nenê se mudou em 1925 para Campinas, onde ele foi trabalhar na estação ferroviária daquela cidade. Dois anos depois passou a exercer a função de auxiliar de chefe de estação em Araraquara e logo em seguida foi transferido para São Carlos, sendo promovido em 1932. Retornou a esta cidade como chefe de estação em 1940, e posteriormente galgou o posto de inspetor da contadoria da CP, cargo no qual se aposentou em 1951.
Sendo grande conhecedor do ramo de transportes, foi convidado para trabalhar no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) como almoxarife, função que exerceu com esmero durante 16 anos, obtendo novamente a aposentadoria, dessa vez compulsória.
Sem fazer alarde, Synésio sempre ajudou a comunidade em tudo que podia. Dizia-se compromissado com ela.
Synésio Wyss Barreto faleceu no dia 7 de novembro de 1987, aos 90 anos, estando sepultado no Cemitério São Bento, o que era o seu grande desejo, pois sempre dizia que esta era a cidade que ele sempre amou. Sua esposa, Dona Nenê, faleceu aos 57 anos, no dia 24 de março de 1954.
Seu nome está na rua através da Lei nº 3426, de 26 de fevereiro de 1988, de autoria do vereador Elias Damus, que denomina Rua Synésio Wiss Barreto, a via pública da sede do município, conhecida por Rua 3 do loteamento Parque das Hortênsias, que tem o seu início na divisa da propriedade do senhor José Edgard Machado e término da faixa da rodovia estadual *Comandante João Ribeiro de Barros* (SP-255).

Candido Santos


Nascido aos 11 de fevereiro de 1925, em São Simão (SP), filho de Martiniano Prisco dos Santos e de Maria Augusta da Costa Santos, Candido era o terceiro filho do casal, sendo seus irmãos: Roldão, Odila, Yolanda, Luiz, Samuel, Paulo e Moisés.
Candido Santos fez seus primeiros estudos no Grupo Escolar de São José do Rio Preto, cidade para a qual seu pai havia sido transferido como ferroviário. O curso técnico ele fez aqui em Araraquara, no Núcleo de Ensino Profissional da EFA - Estrada de Ferro Araraquara.
Em 13 de novembro de 1940, com 15 anos de idade, ingressou na antiga EFA, onde, pela sua dedicação, simplicidade e força de vontade conseguiu galgar o cargo de chefe do depósito.
Querido por todos, sempre estava disposto a auxiliar seus comandados, merecendo deles todo respeito.
Na Fepasa, Candido permaneceu trabalhando até sua aposentadoria, a qual aconteceu em 16 de fevereiro de 1976. Ao longo de sua carreira de ferroviário, ele trabalhou em outras cidades.
Candido Santos casou-se em Araraquara, na Igreja Presbiteriana, no dia 8 de janeiro de 1949, com a senhorita Dirce Prandi, filha de Hermenegildo Prandi e de dona Marieta Mazzoni Prandi. Dessa união nasceram três filhos: Nilson, desquitado; Candido Santos Júnior, casado com Márcia Marina Pigossi Santos; e Nilce, casada com Orlando Massambani Filho. Sua descendência completa-se com seis netos: Nilson Santos Junior, Candido Santos Neto, Nilce Mari Santos, Bruna Santos Massambani, Carla Santos Massambani e Thaís Elisa Santos.
Desde a mais tenra idade, freqüentou uma igreja cristã, conduzido pelas mãos de seus pais. Candido tornou-se um cristão fiel e temente a Deus.
Em sua mocidade, foi membro ativo da Igreja Presbiteriana de São José do Rio Preto e, mais tarde, foi diácono e presbítero da Igreja Presbiteriana de Araraquara, a qual ele tanto amou.
Nos esportes, sempre gostou da prática do futebol, tendo sido *bom de bola* em sua mocidade, época em que era conhecido nos meios esportivos por *Caxambu*.
Não dispensava, nas horas de lazer, uma boa pescaria, sempre em companhia dos amigos Natanael Mendes, Paulo Silva e Sorbara.
Candido Santos, que herdera seu nome de seu avô paterno, foi pessoa muito benquista na cidade, especialmente nos meios ferroviários, esportivos, bem como pelos evangélicos.
Faleceu repentinamente na cidade de São Caetano do Sul, no dia 31 de maio de 1998, quando em visita a familiares naquela cidade, sendo seu corpo trasladado para nossa cidade, estando sepultado no Cemitério São Bento. Sua esposa, dona Dirce Prandi Santos reside em Araraquara.
Seu nome está na rua através da Lei nº 5.079, de 29 de setembro de 1998, de autoria do vereador Mário Joel Malara, que denomina Avenida Candido Santos, a via pública da sede do município conhecida como Avenida *C* do loteamento Jardim Indaia, com início na Rua Lázaro Mendes Ferreira e término na Estrada Municipal no mesmo loteamento.

Antonio Valila


Antonio Valila nasceu a 1º de novembro de 1908 na Fazenda Bela Vista, zona rural de Ribeirão Bonito (SP). Filho de Eliseu Valila e de Carmela Durante, imigrantes italianos que aqui aportaram no final do século XIX. Eliseu e Carmela vieram para a região de São Carlos ainda crianças, e ali cresceram, casaram-se e constituíram família, sendo seus filhos, além de Antônio, Luzia, Miguel, Maria e outros.
Antonio Valila passou sua infância e juventude na bela Ribeirão Bonito, onde ajudava os pais na lavoura de café. Aos 20 anos, conheceu a sua eleita, senhorita Adelaide Mistura, filha de Alberto Mistura e Paschoalina Mussolini Mistura, também oriundos da Itália. Antonio e Adelaide casaram-se em 10 de junho de 1928 na pequena Guarapiranga. Desse matrimônio nasceram 7 filhos, sendo que a primogênita faleceu aos 2 meses de vida, depois vieram outros 6 filhos: Ana, casada com Marcílio Martins Caldeira; Lázaro (Lazinho da Rádio), casado com Maria do Carmo Barbante Valila; Paulo, casado com Luzia Gracindo Valila; Irineu, casado com Aparecida Vasconcelos Valila; Antônia, casada com José Pedro Pelícola; e Neusa, solteira. Esses filhos lhes deram 16 netos, 30 bisnetos e 3 trinetos.
Após o casamento, Antonio Valila e sua esposa mudaram-se para Tamoio, onde foram trabalhar na lavoura e local onde também nasceram seus 5 primeiros filhos, sendo os dois últimos nascidos em Araraquara.
A luta foi árdua, porém gratificante, pois que com as economias conseguidas em Tamoio, a família, em 1939, mudou-se para Araraquara, cidade onde construíram casa própria e estabeleceram-se no ramo de secos e molhados, com um empório na antiga Rua Cruzeiro do Sul, nº 470, no São José, hoje Rua Itália.
Os filhos Irineu e Antônia ajudavam no empório, enquanto Lazinho era ajudante de alfaiate e Paulo trabalhava no transporte de cana para a Usina Zanin.
Antonio Valila não obteve o mesmo sucesso no comércio, igual ao que obtivera na lavoura; em dado momento encerrou as atividades no empório e, afim de manter o orçamento familiar, adquiriu duas charretes de aluguel e permanecia grande parte do tempo no ponto da estação aguardando os passageiros que chegavam pela ferrovia. Nessa profissão, Antonio Valila e seu filho Irineu permaneceram por muitos anos.
De origem humilde, Antonio Valila dedicava a todos o mesmo desvelo. Fez incontáveis amigos e conquistou admiradores.
Antonio Valila faleceu no dia 27 de março de 1984, às 21h45, no Hospital São Paulo, aos 75 anos de idade; e sua esposa Dona Adelaide faleceu em 13 de julho de 2000, estando ambos sepultados no Cemitério São Bento.
Seu nome está na rua através do Decreto nº 5011, de 16 de abril de 1984, que denomina Rua Antonio Valila a via pública que tem seu início Avenida João de Calera e seu término na Avenida Dr. Manoel Penteado, no Jardim Roberto Selmi Dei, neste município.

Antenor Elias


Paulista de Araras, nascido aos 29 de março de 1911, filho único de Bendita Elias. Cursou o primeiro grau em sua cidade.
Iniciou suas atividades profissionais em sua terra natal, trabalhando com o Sr. Pedro Chagas, o qual contribuiu para a sua educação. Mais tarde, na sua mocidade, Antenor foi trabalhar como motorista para o Sr. Ignácio Zurita Júnior, respeitado industrial de Araras e que foi eleito prefeito daquela cidade.
Em 28 de julho de 1934, casou-se com a senhorita Lydia Baptistella, filha de Luiz Baptistella e de Luiza Baptistella, agricultores de origem italiana. Desse matrimônio nasceram 10 filhos: Ondina, casada com Júlio Lázaro Sierra; Odayr (Buck), casado com Edile Bedo Elias; Odécio, divorciado; Odilon, casado em primeiras núpcias com Maria do Carmo Soler Elias e em segundas núpcias com Leila Elias Abi Rached Elias; Noely, casada com Octávio Luiz Pião; Antenor Júnior, casado com Zélia Pinheiro Elias; Luiz, casado com Maria Isabel Napolitano Elias (Tuca); José, casado com Maria Clélia Palhares Elias; Maria Flávia, casada com Raimundo Martins Alves (Lemão); e Ignácio, casado com Maria do Carmo Ap. Stucchi Elias. Esses filhos lhe deram 29 netos e 22 bisnetos.
Cedo, Antenor teve que enfrentar as dificuldades da vida, porém, acreditava em seu potencial. Em 1946, quando ainda trabalhava como motorista da Prefeitura Municipal de Araras, resolveu escrever uma carta para o Sr. Eurico Gaspar Dutra, então presidente da República, solicitando que lhe fosse concedido um financiamento para aquisição de um caminhão, com o qual ele iniciaria seu próprio negócio; passados 7 meses, qual não foi a sua surpresa, ao receber um ofício na Prefeitura, direto do Gabinete da Presidência da República, informando que o financiamento tinha sido concedido, e que o caminhão, um Chevrolet 1946, importado dos Estados Unidos, já estava à sua disposição no porto do Rio de Janeiro. O empréstimo foi quitado em 36 parcelas.
De posse do *Chevrolet 46*, Antenor Elias começou seu próprio negócio, primeiramente transportando mandioca para a indústria Amidonaria Zurita, indústria alimentícia de propriedade de seu ex-patrão.
Tempos depois, passou a trabalhar exclusivamente para a Companhia Nestlé, de Araras, realizando serviços de transporte para aquela empresa. Nascia assim a Transportadora Cacique.
Com o crescimento da empresa, no ano de 1956, Antenor amplia seus negócios criando uma filial em Araraquara para atender a fábrica da Nestlé na cidade. Inicialmente veio sozinho, morando na pensão do Sr. Pezzuto, nas imediações do Largo São Benedito, na Vila Xavier, época em que recebeu grande apoio, não só da família Zaniolo como também de todos os colaboradores da Nestlé. Mais tarde trouxe seu filho Odilon e a esposa Lydia, indo residir na chácara Santa Cruz, que havia arrendado de Benedito de Oliveira. Nessa chácara, Antenor cultivava cana-de-açúcar, sendo fornecedor da Usina Santa Cruz.
A partir de 1960, a família toda muda-se para Araraquara, e os filhos assumiram funções na diretoria da empresa. Nessa época, a Transportadora Cacique tinha suas instalações em Araras e Araraquara, e, a partir de 1962 até 1967 a transportadora transferiu suas instalações de Araras para Ibiá, Minas Gerais.
Na década de 1960, instalados no início da Rua Voluntários da Pátria, atual Buck Transportes Rodoviários Ltda, Antenor Elias e filhos obtiveram êxito e progresso nos seus negócios, possuindo uma frota de mais de 40 caminhões, prestando serviços a Nestlé e outros.
Na sua mocidade, Antenor devotava uma grande paixão por aviação, e conseguiu realizar o sonho ao obter seu brevê de piloto, na cidade de Araras, juntamente com seus amigos Armando Fachini, Natal Ângelo Bedo, José Fabrício e Antônio Mantovani, sendo essa a primeira turma formada no aeroporto *Ignácio Zurita Júnior*.
Antenor Elias era um homem alegre, festeiro, solidário, amigo e jamais negava auxílio a quem o procurava.
Faleceu aos 60 anos, no dia 18 de junho de 1971, no Hospital da Beneficência Portuguesa, na cidade de São Paulo, sendo seu corpo trasladado para Araraquara, estando sepultado no Cemitério São Bento. Sua esposa, Dona Lydia, faleceu em 16 de março de 1996, sepultada .
Seu nome está na rua através da Lei nº 4.480, de 28 de agosto de 1997, de autoria do vereador Amador Perez Bandeira, que denomina Avenida Antenor Elias, a via pública da sede do município conhecida como *Avenida 1* do loteamento Centro Empresarial e Industrial Omar Maksoud (IV Distrito Industrial); Av 03 do loteamento Jardim Bandeirantes e demais prolongamentos, com seu início na divisa da propriedade da Lupo Agrícola Ltda, com a futura Avenida Marginal ao ramal de acesso Heitor de Souza Pinheiro, e seu término da na divisa do loteamento Centro Empresarial e Industrial Omar Maksoud, passando em frente às instalações do Sest/Senat. Antenor Elias também é patrono de uma bela avenida na cidade de Araras.

Sebastião Pierri


Sebastião Pierri nasceu em Boa Esperança do Sul, no dia 3 de agosto de 1907, filho de Antônio Pierri e Filomena Veltri Pierri, imigrantes italianos que aportaram àquela cidade, para trabalhar na lavoura do café.
Sebastião cursou o Primário no Grupo Escolar de Boa Esperança do Sul. Terminando o estudo, tratou de aprender um ofício, e escolheu o de alfaiate, profissão a qual exerceu por toda a sua vida.
Na sua mocidade, era comum os jovens aprenderem música para participar das *corporações musicais*, as famosas bandas de música. A maioria das cidades do interior possuía a sua banda musical. Elas participavam daquelas *alvoradas*, dos desfiles, das retretas, de todas as homenagens em vida e mesmo póstumas, pois acompanhavam até enterros. Havia até concursos de bandas. Tudo isso entusiasmava os jovens, e com Sebastião não foi diferente. Logo lá estava ele participando como músico da banda. Seus instrumentos favoritos eram saxofone, clarineta e flauta.
Sebastião casou-se em Boa Esperança do Sul, no dia 30 de maio de 1929, com a senhorita Francisca Braga, filha de Espiridião Silva Braga e de Cândida Marins Braga. Desse matrimônio nasceram quatros filhos: Milton, Vilma, Walter e Aldo.
Quando percebeu que as crianças estavam crescendo e que era necessário proporcionar-lhes melhores condições de estudo, Sebastião resolveu mudar-se para Araraquara. A chegada na cidade é lembrada pelo seu filho Walter: *numa bela manhã do dia 10 de maio de 1947, nós descíamos da Jardineira do Sr. Luiz Benassi em frente a estação, prontos para enfrentar a nova vida*.
Ao mesmo tempo em que Sebastião trabalhava como alfaiate, ele ia fazendo novas amizades através da música. Ingressou na Banda Brasileira, cuja sede era na *casa do Tita*, localizada na Avenida Brasil, entre as ruas 7 e 8, local de onde a banda partia. Ali Sebastião fez excelentes amigos, entre os quais lembramos o Sr. Sebastião Rufino, a quem ele carinhosamente chamava de xará. A banda estava sempre presente onde fosse solicitada, exercendo o mais puro amadorismo, pois ninguém recebia sequer um vintém.
Mais tarde, Sebastião passou a fazer parte das orquestras da cidade, chegando a pertencer ao *cast* da famosa Orquestra Marabá, considerada na época uma das melhores do interior paulista.
Com o resultado de seu trabalho, conseguiu encaminhar os filhos. Milton ingressou na Estrada de Ferro Araraquara, onde aposentou-se. Vilma formou-se em contabilidade, ingressando na Delegacia da Receita Federal, sendo posteriormente transferida para Santos, onde aposentou-se e residi. Walter formou-se em Odontologia, exercendo sua profissão até os dias de hoje em Araraquara, tendo sido presidente da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD-Regional de Araraquara) e um dos fundadores do Rotary Club Araraquara-Carmo; e Aldo formou-se engenheiro civil, tendo sido por 30 anos diretor do DAAE - Departamento de Água e Esgoto de Araraquara -, onde aposentou-se.
A família cresceu e multiplicou-se, e seus quatro filhos, noras e genro lhe deram 14 netos, 15 bisnetos e 1 tataraneta.
Sebastião Pierri foi um excelente profissional da tesoura, exemplar marido, pai amoroso, um homem amante da música e de muitos amigos.
Faleceu aos 79 anos de idade, no dia 24 de abril de 1986, estando sepultado no Cemitério São Bento. Sua esposa, Dona Francisca Braga Pierri, reside em nossa cidade.
Seu nome está na rua através do Decreto nº 5.501, de 8 de outubro de 1986, que denomina Rua Sebastião Pierri, a antiga *Rua 9* do loteamento Águas do Paiol, neste município.

Manoel de Abreu


É muito provável que a grande maioria dos médios com menos de 40 ou 50 anos de idade conheça Manoel Dias de Abreu apenas como inventor da abreugrafia.
Há pessoas que pautam sua vida pela devoção profissional, voltando-se para a aplicação prática de seus conhecimentos e de sua inteligência ao bem dos seres humanos. Uma dessas raras pessoas foi o notável médico Manoel Dias de Abreu, nascido na cidade de São Paulo em 4 de janeiro de 1892, sendo o terceiro filho do casal Júlio Antunes de Abreu, português da Província do Minho, e Mercedes da Rocha Dias, natural de Sorocaba (SP).
Em 1913, com apenas 21 anos de idade, conseguiu formar-se pela mais tradicional escola médica do país, localizada no Rio de Janeiro e denominada Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, a popular *Praia Vermelha*. Na época, o Rio de Janeiro era a capital de nosso país, daí o nome da histórica faculdade, atualmente denominada Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e plantada na Ilha do Fundão, no âmago da Baía de Guanabara.
No ano seguinte, em 1914, acompanhado dos pais, do irmão Júlio Antunes de Abreu Júnior e da irmã Mercedes, partiu para a Europa a fim de aperfeiçoar os estudos. Por causa da 1ª Guerra Mundial, a família teve que permanecer em Lisboa até poder mudar-se definitivamente para Paris.
Trabalhando no Nouveu Hospital de la Pitie, junto com o professor Gaston Lion, ficou encarregado de fotografar peças cirúrgicas. Foi quando ele desenvolveu um dispositivo para fotografar a mucosa gástrica.
O jovem Manoel foi se envolvendo com a radiografia, criada pelo médico alemão Roentgen, em 1895. Certa vez, ele ficou fascinado com o diagnóstico radiológico de tuberculose.
Tempos depois, Manoel tornou-se chefe do laboratório central de radiologia do Hotel-Dieu, quando o titular do posto, o Dr. Guilleminot, afastou-se para servir na guerra.
Manoel de Abreu aperfeiçoou-se em radiologia pulmonar, na época em que foi assistente do professor Maingot, no Hospital Laennec, em Paris; foi nesta cidade considerado um médico inteligente, dedicado e de grande respeitabilidade profissional.
Em 1919, apesar de já possuir conhecimento para desenvolver a abreugrafia, faltavam-lhe recursos técnicos. Ele defendia a utilização da radiografia como forma de diagnosticar a tuberculose, doença bastante comum na época.
Em 1922, quando voltou ao Brasil foi recebido por uma epidemia de tuberculose que assolava o Rio de Janeiro. Sua influência proporcionou a instalação na capital do país do primeiro serviço de radiologia destinado ao diagnóstico da doença. Passou a década de 1920 desenvolvendo estudos sobre a formação da imagem, que resultaram na radiogeometria, e mais tarde, quando assumiu a chefia do serviço de radiologia do Hospital Jesus, no Rio de Janeiro, decidiu criar a fluorografia, por causa do inúmeros casos de crianças com tuberculose.
Manoel de Abreu casou-se na residência de seus pais, em São Paulo, no dia 7 de setembro de 1929, com a senhorita Dulcie Evers.
Numa noite de 1936, fruto de suas pesquisas, as imagens das primeiras fluografias apareceram nítidas. Foi quando Manoel de Abreu conseguiu misturar radiografia com fotografia.
A aplicação inicial das radiografias se destinava a observar a estrutura dos ossos em geral, do coração e dos pulmões, que são órgãos que aparecem nas chapas sem depender de nenhum artifício. Manoel de Abreu dirigiu maior atenção às chapas dos pulmões que, entre os três órgãos apontados, apresentavam maior incidência de doenças graves, cuja chave de sucesso no tratamento dependia do diagnóstico precoce: tuberculose, micoses internas e câncer.
Entre essas três doenças, a tuberculose se destacava pela alta incidência, cujas lesões pulmonares iniciais eram facilmente detectadas através de uma rápida radiografia.
O Dr. Manoel Dias de Abreu, altamente capacitado nos segredos técnicos da radiologia, passou a fazer profundas pesquisas no sentido de baratear o custo das chapas pulmonares e a facilitar a detecção rápida da tuberculose, voltada para o atendimento em massa, nos moldes aplicáveis à Saúde Pública.
Através do invento de Manoel de Abreu, uma radiografia de tórax ao invés de ser feita numa chapa de mais de meio metro, passou a ser concentrada num filme 35 milímetros, com a mesma possibilidade de visualização. O invento do Dr. Manoel Dias de Abreu foi de grande significado para a rápida detecção coletiva de tuberculose e demais doenças pulmonares e cardíacas, marcando, sem dúvida, um grande tento na ciência brasileira.
A famosa micro-radiografia do tórax, chamada inicialmente roentgenfotografia, foi batizada, por sugestão do médico Ary Miranda, presidente do I Congresso Nacional de Tuberculose, realizado em 1939, com o nome ABREUGRAFIA em homenagem ao grande radiologista Manoel de Abreu, sendo ele também indicado para membro da Academia Nacional de Medicina. O termo ABREUGRAFIA tornou-se obrigatório em São Paulo no ano de 1958. O prefeito Adhemar de Barros, a exemplo do presidente Juscelino Kubitschek, determinou que as repartições públicas usassem o nome ABREUGRAFIA para designar o exame, e instituiu o dia 4 de janeiro, nascimento de Manoel de Abreu, como o *Dia da ABREUGRAFIA*. A sua obra estimulou a criação da Sociedade Brasileira de Abreugrafia em 1957 e a publicação da Revista Brasileira de Abreugrafia.
O mundo todo reverencia a figura de Manoel Dias de Abreu, que foi membro da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia de Medicina de Buenos Aires e Cavaleiro da Legião de Honra da França.
Em Araraquara, o nome do grande cientista Manoel de Abreu não está simplesmente na rua, como muitos outros personagens de destaque. O nome dele está no local certo, porque a Avenida Manoel de Abreu é exatamente aquela que conduz ao Hospital Sanatório *Dr. Nestor Goulart Reis*, instituição a qual, por muito tempo, se dedicou ao tratamento da tuberculose em nossa região.
Dr. Manoel Dias de Abreu morreu de câncer de pulmão, em 30 abril de 1962, aos 70 anos de idade.
Seu nome está na rua através da Lei nº 1173, de 29 de novembro de 1962, que passou a denominar Rodovia Manoel de Abreu a antiga estrada que liga Araraquara à divisa do município de Américo Brasiliense; mais tarde, no governo do prefeito Roberto Massafera, quando da duplicação daquela via, passou a denominar-se Avenida Manoel de Abreu.

Pedro Marracini


Imigrante italiano, nascido em 17 de fevereiro de 1867, em Luca, província de Toscana, na Itália, onde foi batizado, veio para o nosso país, passando pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Lúcia, chegando até Araraquara.
Sendo filho de Mansueto Marracini e de Carlota Pérgola Marracini, é certo que teve outros irmãos.
Ainda pequeno, desembarcou no Rio de Janeiro em outubro de 1882 e amou esta terra como bem poucos.
Pedro e o irmão Giuseppe vieram para São Paulo acompanhados de um tio, que os deixou na casa de um engenheiro, o qual os recebeu oferecendo-lhes moradia e estudo. Consta que esse profissional foi quem construiu o Museu do Ipiranga, obra em que Pedro Marracini começou a trabalhar.
Mais tarde, seu irmão e seu tio mudaram para Ohio, nos Estados Unidos, vindo Pedro morar em Santa Lúcia, para trabalhar na região como construtor.
Certa feita, acompanhou um amigo numa visita ao Hospital Santa Catarina, na cidade de São Paulo, e lá conheceu a enfermeira Quintilla Scardigla, italiana, também natural de Luca, com a qual veio a se casar em 18 de janeiro de 1896, na cidade de Jaboticabal, pouco antes de completar 28 anos. Desse matrimônio nasceram 10 filhos: Sebastião, casado com Ida Cestari; Luiz; Lídia; Plínio; Inês; Pedro Júnior, casado com Alice de Oliveira; Osvaldo; Eugênio, casado com Ida Aparecida Romani; Fanny, casada com Cícero de Azevedo Muniz; e Alzira, casada com Ivo Bombarda. Sua descendência completa-se com netos e bisnetos.
Com exceção da filha Fanny, os demais já falecidos. Na época, dizia-se que a casa de seu Pedro Marracini era muito alegre, motivada pelo fato de ter muitos moços.
Logo após o casamento, Pedro Marracini e sua esposa mudaram-se para Araraquara, mas precisamente nas imediações do Largo de São Benedito, na Vila Xavier, onde Pedro havia adquirido uma gleba de terra da família Germano Xavier de Mendonça. Era uma área muito grande e que se estendia até as proximidades do atual Centro Esportivo e Recreativo do Trabalhador *Octaviano de Arruda Campos* (Parque do Pinheirinho), e era um terreno muito arborizado, principalmente com árvores frutíferas. Nesse local, Pedro Marracini construiu uma fábrica de artefatos ornamentais de cimento, peças usadas em suas construções.
Em nossos dias ainda podemos admirar alguns desses ornamentos (vasos) colocados nas edificações do construtor, sendo uma delas observada no prédio residencial onde residiu por muitos anos o industrial Henrique Lupo, localizado na Rua 9 de Julho.
Quando da construção da Praça Pedro de Toledo, bem como do segundo Grupo de Araraquara, o *Antônio J. de Carvalho*, em terreno onde existiu um antigo cemitério, a família de Pedro Marracini mudou-se para a Rua Itália (antiga Cruzeiro do Sul) esquina com a Avenida São Paulo, local onde construíram um belo sobrado e residiram por longos anos.
O filho mais velho, Sebastião, era o mestre de obras das construções do pai, e o filho Pedro Júnior também fazia parte da equipe. Durante muitos anos, a família trabalhou unidade e construiu grandes obras na cidade, das quais destacamos a Faculdade de Farmácia, o Hotel Municipal, o Teatro, o Estádio Municipal e muitas outras residências imponentes da época, inclusive a residência do então prefeito Plínio de Carvalho .
Porém, a sua a obra-prima, sem dúvida nenhuma, é o majestoso prédio do Clube Araraquarense, plantado na Rua São Bento, na Praça Antônio Corrêa da Silva, no centro da cidade.
Pedro Marracini não foi só um grande construtor de prédios, como também um dos que mais se preocupou com o meio ambiente em sua época, pois que arborizou e ornamentou abundantemente ruas e praças de nossa cidade.
Pedro Marracini, homem que não temia o trabalho, impulsionou o desenvolvimento desta terra e ainda hoje podemos admirar algumas de suas obras.
Faleceu aos 96 anos de idade, no dia 2 de setembro de 1963, às 21h45, na Santa Casa de Misericórdia, estando sepultado no Cemitério São Bento.
Seu nome está na rua através do Decreto nº 3601, de 20 de outubro de 1972, que denomina Rua Pedro Marracini, a segunda travessa da Vila Andrade, localizada no bairro Vila Xavier, logo depois do Viaduto *Leonardo Barbieri* (viaduto da Barroso).

Luiz Oliveira Formariz


Luiz Oliveira Formariz foi um homem simples, mas que deixou marcas nos caminhos por onde trilhou, pautando seu comportamento não só pelos princípios religiosos, mas, também, pela honestidade e moral.
Homem de fé, católico praticante, teve a felicidade de participar ativamente dos trabalhos de sua comunidade religiosa, a igreja Santo Antônio, na Vila Xavier. Foi também na cidade de Taquaritinga, onde morou, vicentino atuante.
Luiz nasceu na cidade de São José do Rio Pardo (SP) em 28 de fevereiro de 1910. Era filho de Belchior Formariz e de Philomena Formariz. Fez seus estudos, como interno, no Colégio Liceu Sagrado Coração de Jesus, na cidade de São Paulo, onde cursou o primário e o secundário, tendo se formado no curso de Contabilidade. Nessa escola, foi seu professor de Português o brilhante orador político, general Porfírio da Paz.
Já formado, foi recrutado como soldado para defender o Estado de São Paulo na Revolução Constitucionalista de 1932.
No ano seguinte, em 1933, Formariz veio residir em Araraquara, ocasião na qual foi admitido na Estrada de Ferro Araraquara, para exercer as funções de Trabalhador na Turma Volante Nº 2, do Departamento da Linha, alojado em Silvânia.
Estando certo dia a escrever uma carta para sua namorada, seu supervisor surpreendeu-se com a perfeição de sua caligrafia e do português correto que utilizava, admirado, informou o fato ao engenheiro-chefe, o qual, após proceder alguns testes com Formariz, acabou descobrindo outros predicados do qual o mesmo era possuidor. Foi quando o levaram para trabalhar como escriturário no escritório da EFA, tendo sido posteriormente promovido para novas funções.
Casou-se em Araraquara no dia 29 de agosto de 1936, com a senhorita Mercedes Gomes Corrêa, filha de Francisco Corrêa e de Carmem Gomes Corrêa; o casal mudou-se para Taquaritinga e nessa cidade nasceram seus filhos: Maria Terezinha, casada com Antônio Carlos Pelizzari (falecido), José Jesus, casado com Maria José Borelli Formariz; Luiz Gonzaga, casado com Maria Aparecida Pereira Formariz; Marina Maria, casada com Syrthes Legendre; Nanci Maria, casada com Osmar Miranda; Francisco José, casado com Maria da Penha Pedroni Formariz; Maria José, casada com José Vanderlei Gouveia; Benedito Antônio, casado com Maria do Socorro Azevedo Formariz; Ciro Roberto, casado com Cleide do Carmo Ferreira Formariz; e Vilma Maria, falecida aos 6 meses de vida. Seus filhos lhe deram 27 netos, 17 bisnetos e 1 trineto.
Em 1954, a família Formariz retorna para Araraquara, passando ele a trabalhar no 8º andar do edifício central da Contadoria da EFA. Inicialmente, a família foi morar numa casa localizada perto do campo da Associação Ferroviária de Esportes, vindo mais tarde a construir sua própria residência na antiga Rua do Tesouro, hoje Rua Bento de Barros.
Um fato interessante revela como ele era querido pelos seus companheiros, pois que durante a edificação de sua residência, seus amigos de Taquaritinga, Fernando Prestes, Matão, Silvânia e Araraquara compareciam nos finais de semana para ajudá-lo na construção.
Formariz aposentou-se no ano de 1964, no cargo de chefe de Seção da 1ª Residência do Departamento da Linha, e pouco tempo depois foi trabalhar como escriturário na UAPA - União dos Aposentados e Pensionistas de Araraquara -, a convite de seu presidente Sr. Manoel Marques de Jesus Júnior, tendo prestado relevantes serviços a todos os aposentados que o procuravam.
Luiz Oliveira Formariz fez da bondade e do amor ao próximo o motivo principal de sua jornada neste mundo.
Faleceu aos 61 anos de idade, em 10 de junho de 1971, coincidentemente em uma quinta-feira, dia de Corpus Christi, visto que, como católico fervoroso, ele sempre dizia a seus filhos que seria uma grande graça morrer num dia considerado santo. Sua esposa, Dona Mercedes, reside em nossa cidade.
Seu nome está na rua através do Decreto-Lei nº 4569, de 17 de dezembro de 1981, que denomina Avenida Luiz Oliveira Formariz, a via pública localizada no Jardim Itália, neste município.

Alberto Santos-Dumont


Alberto Santos-Dumont foi o primeiro brasileiro de projeção internacional, antes de Carmen Miranda e Pelé.
Gostava de usar hífen entre os dois sobrenomes, um brasileiro, outro francês, para mostrar que o nome nacional era tão importante quanto o imponente Dumont.
Alberto Santos-Dumont foi para seu tempo - a Belle Époque - o que Yuri Gagarin ou Neil Armstrong representaram para a atual geração.
O *Pequeno Ícaro* do Brasil não passou à história apenas como o homem que inventou o avião, mas como um gênio tão criativo quanto excêntrico, que criou o relógio de pulso e levou o homem mais alto do que jamais sonháramos.
Pioneiro da navegação aérea com veículos mais pesados que o ar, Santos-Dumont desenvolveu os balões dirigíveis e realizou o primeiro vôo público com um avião capaz de decolar e pousar com seus próprios meios, sem o auxílio de catapultas.
Alberto Santos-Dumont nasceu em 20 de julho de 1873, na fazenda de Cabangu, perto de Palmira, hoje Santos-Dumont (MG). A família da mãe, Francisca, de origem aristocrática, chegara ao Brasil com D. João VI. Já o pai, Henrique Dumont, descendia de joalheiros franceses que imigraram para o Brasil por volta de 1820.
Em Ribeirão Preto, Henrique ergueria a maior e mais moderna fazenda cafeeira do país, cerca de 5 milhões de pés de café. Alberto era o caçula de quatro irmãs e dois irmãos, bem mais velhos.
Ainda menino, devorava os romances de Júlio Verne; quem ensinou Alberto a ler foi sua irmã Virgínia. Quando chegava a época de aulas, ele freqüentava escolas: primeiro, o Colégio Culto à Ciência, em Campinas; e depois outros não menos famosos: o Instituto dos Irmãos Kopke, o Colégio Morton e o Menezes Viana (RJ). Mais Alberto era um aluno apenas regular, e, quando mais tarde, resolveu fazer faculdade, matriculou-se na Escola de Minas, em Ouro Preto, porém, resolveu desistir da engenharia.
Aos sete anos de idade, já dirigia e até consertava máquinas de tração empregadas na lavoura da fazenda, e aos 12 anos pilotava as locomotivas Baldwin, da ferrovia da fazenda. *Brincando, como ele mesmo dizia, Alberto familiarizou-se com todo tipo de máquina rural.
Quando Alberto tinha 18 anos, tudo mudou. O pai, paralítico depois de uma acidente com charrete, foi tratar-se em Paris, levando a família consigo e vendendo a fazenda. No meio da viagem, Henrique piorou e voltou para morrer no Brasil - mas a família seguiu viagem. Agora, Alberto estava por conta própria em Paris - rico, com sua parte na herança do pai, mas por conta de seus próprios sonhos.
Na ocasião - a Belle Époque francesa, era de luzes, inventos e progresso -, os balões de ar quente começaram a fascinar o homem, Santos-Dumont, desde o primeiro instante apaixonou-se por esses veículos alados. Em Paris, subiu aos céus pela primeira vez em um balão dirigido pelo mecânico Machuron. Era o dia 23 de março de 1898. Desde esse dia, o jovem Alberto ficou obcecado pela idéia de construir balões que pudessem ser completamente controlados pelo piloto. Após as primeiras ascenções, ele passou a projetar o seu próprio balão, insistindo em usar seda japonesa, pois era mais leve e resistente. E assim subia ao céu, em 4 de julho de 1898, o menor balão da época, o qual ele próprio classificou como *o menor, o mais lindo, o único que teve um nome - Brasil*.
Os parisienses, devido às pequenas dimensões do invento diziam que Santos-Dumont levava o balão na maleta. Depois, passou a construir dirigíveis.
Santos-Dumont foi aperfeiçoando suas engenhocas voadoras. Os sucessos das experiências do pequeno brasileiro levariam o magnata do petróleo Henry Deutsch de la Meurthe a oferecer um prêmio de 100 mil francos a quem, saindo de Saint Cloud, e sem auxílio de terra, contornasse a Torre Eiffel e regressasse ao ponto de partida em no máximo 30 minutos. A distância de ida e volta eqüivalia a 30 quilômetros. Quem venceu? Santos-Dumont, claro, com o balão nº 6 , em forma de charuto, em exatos 29 minutos e 30 segundos. Curiosamente, foi nessa viagem que Dumont teve a idéia de criar o relógio de pulso. Conduzir o balão não deixava as mãos livres para consultar o relógio de bolso - e essa consulta fazia falta numa corrida contra o tempo. Posteriormente, conversando com os donos da célebre relojoaria Cartier, ele passaria a idéia de se confeccionar um relógio que pudesse ser preso ao pulso, facilitando a consulta. À essa altura ele já era uma celebridade internacional.
Como ele nunca patenteou seus inventos, outros franceses copiavam seus modelos - inclusive seu antigo patrocinador, Meurthe, e os céus de Paris se tornaram um festa. Para Santos-Dumont, as aeronaves eram instrumentos de paz e harmonia entre os povos, não máquinas de guerra.
Dumont resolveu deixar os dirigíveis para trás e concentrar-se em máquinas mais pesadas do que o ar. Ele não tinha nenhuma idéia da realização de um vôo controlado de 59 segundos que Orville Wright fizera dois anos antes na Carolina do Norte, com o Flyer, avião que ele e o irmão construíram - tendo apenas cinco espectadores como testemunhas silenciosas. O caminho parecia livre a invenção do avião.
Em Paris, as pessoas viam Santos-Dumont como um desportista extremamente elegante. Por isso, poucos contiveram o riso e o estranhamento quando ele começou a testar um estranho aparato - o *avião* propriamente dito -, que pendia de um dirigível, era rebocado por um jegue e tinha asas feitas de pipas. Era sua idéia de aerodinâmica. De início, ele suspendera a geringonça num cabo com roldana e pusera um jumento para puxá-la. Quando isso não deu certo, Santos-Dumont a pendurou no nº 14, dirigível construído especialmente para este fim. O segredo era manobrar utilizando as correntes de ar. *Os pássaros fazem a mesma coisa*, explicava. Mas a geringonça insistia em saltar para adiante e deixar o dirigível para trás. Santos-Dumont então separou dirigível e avião e instalou nesse último um motor mais possante. Deu ao resultado o nome de 14-bis. Em setembro de 1906 o aparelho conseguiu decolar com suas rodas de bicicleta, ficou no ar por alguns segundos e voltou à grama molhada, quebrando sua hélice no choque.
Um mês mais tarde faria nova tentativa. As 4h da tarde do dia 23 de outubro daquele ano, o 14-bis elevou-se do solo, fez uma curva graciosa e pousou. Os juizes fascinados esqueceram de medir a distância exata, mas todos concordaram em que foram cerca de 60 metros a uma altura entre 2 e 3 metros.
Dumont ainda faria a sua aeronave mais querida - a Demoiselle -, construída com bambu e seda chinesa. Era o supremo triunfo do gênio brasileiro. Com essa pequena aeronave ele ia visitar amigos em seus castelos, bateu recorde de velocidade e de distância e, a 18 de setembro de 1909, realizou seu último vôo em cima da multidão, sem segurar nos comandos.
A partir de 1909, a saúde de Santos-Dumont começou a declinar. O uso do avião como arma de guerra perturbou-o particularmente. Teve períodos de grande depressão obrigaram-no a viagens e estações de repouso. Em 1931, de regresso ao Brasil passou a residir em Petrópolis (RJ), numa casa a *Encantada*, que projetou e é hoje o Museu Santos-Dumont.
Santos-Dumont foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1931, mas seu estado de saúde o obrigou a declinar da honraria.
Ao saber do emprego de aviões na Revolução Constitucionalista de 1932, Alberto Santos-Dumont, estando no Guarujá, foi tomado de forte depressão, e na manhã do dia 23 de julho de 1932, com 59 anos de idade, observou aviões militares fazendo vôos rasantes e jogando bombas sobre o litoral paulista, perdeu finalmente a razão e mesmo com as mãos semi-paralisadas, encontrou forças para enforcar-se com sua própria gravata.
Santos-Dumont tem seu nome emprestado em centenas de logradouros públicos, ruas, cidades, aeroportos, tanto no Brasil como exterior. Em Araraquara, seu nome está na rua através do Decreto nº 4626, de 4 de maio de 1982, que denomina Avenida Alberto Santos Dumont a antiga estrada municipal que conduz ao aeroporto *Bartholomeu de Gusmão*; e também denomina-se Praça Santos-Dumont o logradouro público localizado em frente ao prédio da Casa da Cultura *Luiz Antonio Martinez Corrêa*, no centro da cidade. (Texto baseado em pesquisa realizada na Enciclopédia Barsa. Ilustrações da Série Santos-Dumont, da ECT - Empresa de Correios e Telégrafos - em homenagem ao Centenário da Aeronáutica Mundial).